Carboidrato: mocinho ou vilão?

Atualizado: 26 de Mai de 2019



Recentemente, um artigo científico intitulado “Dietary carbohydrate intake and mortality: a prospective cohort study and meta-analysis” (em tradução, ingestão de carboidratos na dieta e mortalidade: um estudo prospectivo de coorte e metanálise), foi alvo de polêmica e discussão a nível mundial. A publicação foi feita no The Lancet, um dos periódicos mais respeitados do mundo em temas de saúde.


Esse estudo, de grande relevância científica, acompanhou 15.428 adultos durante 25 anos, com o objetivo de verificar se o consumo de carboidratos poderia contribuir para o aumento ou não da mortalidade. Os resultados foram interessantíssimos… Foi concluído que o consumo de carboidratos está associado à maior mortalidade somente quando há restrição severa ou consumo exagerado desse macronutriente essencial à vida. A ingestão preconizada entre 50-55% do valor energético total (VET) apresentou risco mínimo. Ou seja, de todas as calorias que consumimos no dia, os carboidratos devem ser a fonte de 50-55% delas. Sendo assim, voltamos às tradicionais recomendações, aonde o equilíbrio é a base do sucesso na perda de peso, manutenção da saúde e qualidade de vida.


Além disso, foi demonstrado que o aumento da mortalidade em pacientes que seguem dietas com restrições severas de carboidratos está associado à substituição destes por proteínas e gorduras de origem animal. O consumo excessivo de proteínas de origem animal, assim como gorduras saturadas, pode aumentar processos inflamatórios e níveis de colesterol circulantes, contribuindo para a aterosclerose e consequentemente doenças cardiovasculares. Já no grupo que consumia esse macronutriente em excesso, observou-se um importante aumento da Obesidade e Diabetes, além de alterações metabólicas relacionadas. Nesse grupo, o consumo de açúcares e carboidratos refinados (de alto índice glicêmico) era especialmente alto.


Recomenda-se que ao seguirem dietas com restrição baixa ou moderada de carboidratos, a base dos carboidratos seja constituída por fontes de baixo e moderado índice glicêmico e haja complementação da dieta com consumo de gorduras e proteínas de origem vegetal. Dentre as proteínas de origem vegetal, podemos citar como exemplos: quinoa, soja, ervilha, lentilha, grão de bico, feijão, amendoim, entre outros. E, dentre os carboidratos de índice glicêmico mais baixo, podemos citar os cereais integrais, as leguminosas e os vegetais, os laticínios e frutas como a maça, o morango e a ameixa por exemplo.


Resumindo, uma dieta individualizada, rica em cereais integrais, fibras solúveis e insolúveis, vitaminas e minerais provenientes especialmente de frutas e hortaliças, oleaginosas e proteínas vegetais continuam sendo a melhor escolha. Não escolha perder peso, escolha ganhar saúde e anos de vida.

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